domingo, 15 de janeiro de 2012

No universo da Psicopedagogia clínica

A psicopedagogia clínica  busca investigar as causas da não aprendizagem. Para isso, essa área do conhecimento tem uma epistemologia embasada em diversas ciências, investigando assim as várias dimensões do sujeito cognoscente , como: sua relação consigo mesmo, com o mundo, nos grupos sociais, o modo como constrói o conhecimento, etc.
         O diagnóstico psicopedagógico parte de uma queixa, que pode ser do sujeito, da família e /ou da escola. “Ele não produz nada na sala de aula”,  não para quieto” , “ vive no mundo da lua”.  As diferentes formulações expostas pelos pais/escola precisam ser analisadas em seus contextos e especificidades , e  elas podem oferecer pistas importantes sobre como essa criança é vista pela família e meio escolar, bem como se a família está preparada para aceitar o diagnóstico. Em algumas situações, a queixa apontada pela escola é a mesma exposta pelos pais, que, muitas vezes, vai se revelando de menor importância em relação ao motivo real que levou os pais à consulta.
            A validade do diagnóstico dependerá da relação estabelecida entre o terapeuta e paciente, em que a  confiança seja um fator constante nas sessões. O diagnóstico psicopedagógico é composto de vários momentos, que tomam direcionamento e espaços de acordo com cada caso. Há momentos de anamnese só com os pais, de avaliação da produção pedagógica, busca da construção e funcionamento das estruturas cognitivas, análise de aspectos afetivos, etc. Não há fronteiras formais entre diagnóstico e tratamento. Para WEISS (2008), a entrevista de anamnese é um dos pontos mais importantes para obter um bom diagnóstico, uma vez que a mesma possibilita a integração das dimensões de passado, presente e futuro do paciente. Segundo a autora:

“Com essa entrevista, tem-se por objetivo colher dados significativos sobre a história de vida do paciente. Da análise de seu conteúdo, obtemos dados para o levantamento de hipóteses sobre a possível etiologia do caso, por isso é necessário que seja bem conduzida e registrada.” (2008, p.63).
           
            Deste modo, percebe-se que é através da anamnese que conhecemos o meio familiar e a história de vida do paciente, e ela pode revelar conceitos, normas e expectativas que podem auxiliar na investigação do caso em questão.
 É importante ressaltar que o fracasso escolar, o não aprender, pode estar ligado a vários fatores, sendo imprescindível uma análise que contemple  o passado e o presente do paciente , bem como  a análise dos aspectos orgânicos, cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos referentes ao processo de aprendizagem.  É válido ressaltar que esses aspectos não são necessariamente excludentes, isto é, as dificuldades de aprendizagem na escola podem ser causadas por mais de um desses aspectos.
          O psicopedagogo é o profissional que investiga essas dificuldades e pretende resgatar o desejo de aprender. Para isso, precisa transmitir confiança e demonstrar o encanto escondido na construção do conhecimento. Neste resgate do desejo, o aprendente precisa construir suas próprias hipóteses e, com a ajuda do psicopedagogo, vencer os obstáculos que inibem sua aprendizagem. Deste modo, percebe-se que o processo diagnóstico baseia-se na inter-relação de condutas entre o terapeuta e o paciente, da comunicação estabelecida entre ambos, da interpretação minuciosa de gestos, falas, olhares, movimentos, etc. Sendo o diagnóstico um processo que depende de relações interpessoais, é fundamental que se leve em consideração a possibilidade de ocorrerem fenômenos de transferência e contratransferência entre o terapeuta (psicopedagogo) e o paciente.
De acordo com WEISS (2008, p.35):

“É necessário que o psicopedagogo consiga compreender os pedidos de ajuda, dependência, proteção, reações onipotentes e fantasiosas expressas através de mecanismos transferenciais durante o diagnóstico. Compreender bem o que acontece, discriminando o seu papel, pode auxiliar o paciente a prosseguir no processo diagnóstico.”

O bom preparo terapêutico possibilita uma análise correta dos fatos expressos  pelo  paciente, escola  e família expressos nas sessões diagnósticas.



Referências
1.VISCA, Jorge. Técnicas projetivas psicopedagógicas e pautas gráficas para a sua interpretação. Buenos Aires. Visca e Visca, 2008.
2. WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia Clínica – uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: Lamparina, 2008.

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